A PRODUÇÃO SOCIAL DO SOFRIMENTO PSÍQUICO FEMININO E SUA CAPTURA PELA MEDICALIZAÇÃO: UMA ANÁLISE CRÍTICA DE GÊNERO
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n2p852-866Palabras clave:
Sofrimento psíquico feminino; Medicalização; Gênero; Dispositivos de subjetivação; Saúde mental.Resumen
O presente artigo examina como o sofrimento psíquico feminino é socialmente produzido e progressivamente capturado pelos dispositivos da medicalização contemporânea. A partir de uma revisão bibliográfica crítica fundamentada em referenciais teóricos da sociologia do gênero, da antropologia das emoções e da crítica ao modelo biomédico hegemônico, argumenta-se que o sofrimento das mulheres não constitui fenômeno de natureza estritamente individual ou biológica, mas expressão de relações sociais atravessadas por desigualdades estruturais de gênero, classe e raça. O percurso analítico articula contribuições de Beauvoir (1949), Butler (2003, 2019), Saffioti (1992, 2004), Illich (1975), Conrad (2007), Rose (2007), Zanello (2018), Le Breton (2009), entre outros, evidenciando como diagnósticos psiquiátricos operam como tecnologias normativas que individualizem condições coletivas de opressão. Conclui-se pela necessidade de abordagens interdisciplinares que articulem saúde mental, estudos de gênero e políticas públicas orientadas para a transformação das condições materiais e simbólicas que produzem o adoecimento feminino.
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