RESILIÊNCIA URBANA OU INJUSTIÇA CLIMÁTICA? ADAPTAÇÃO NEOLIBERAL E DESIGUALDADE SOCIOESPACIAL NO SUL GLOBAL
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n2p1319-1340Palabras clave:
Planejamento Urbano. Justiça Social. Governança Ambiental. Vulnerabilidade Climática. Desigualdade Territorial.Resumen
O debate contemporâneo sobre cidades resilientes tem sido marcado pela crescente centralidade das políticas de adaptação climática, frequentemente apresentadas como soluções técnicas para enfrentar riscos ambientais. No entanto, tais abordagens coexistem com a persistência de desigualdades socioespaciais, especialmente no Sul Global. Este estudo tem como objetivo analisar criticamente em que medida as políticas de resiliência urbana promovem justiça climática ou reforçam desigualdades estruturais. Adota-se uma revisão integrativa da literatura, com base em uma amostra inicial de 216 artigos, refinada para um corpus final de 28 estudos. Os resultados evidenciam que a resiliência urbana, ao ser operacionalizada por meio de instrumentos tecnocráticos e orientados pelo mercado, tende a produzir efeitos contraditórios, como gentrificação climática, exclusão territorial e distribuição desigual dos benefícios ambientais. A discussão demonstra que tais políticas funcionam frequentemente como mecanismos de adaptação sem transformação estrutural, reproduzindo padrões históricos de desigualdade. Conclui-se que a resiliência urbana não é neutra e que sua efetividade depende da incorporação de princípios de justiça social, redistribuição territorial e participação democrática, sob risco de aprofundar as vulnerabilidades que pretende mitigar.
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