EFETIVIDADE DAS ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DA SÍFILIS CONGÊNITA NO BRASIL: UMA REVISÃO DA LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n6p138-149Palavras-chave:
Sífilis congênita, Cuidado pré-natal, Prevenção e controle, Equipe de assistência ao pacienteResumo
Introdução: A despeito da disponibilidade de testes rápidos e tratamento eficaz com penicilina benzatina, a sífilis gestacional (SG) e a sífilis congênita (SC) persistem como desafios crônicos à saúde pública no Brasil. A transmissão vertical do Treponema pallidum resulta em severas repercussões fetais e neonatais, sendo a SC diretamente associada ao pré-natal inadequado e ao diagnóstico tardio. Objetivo: Analisar criticamente a efetividade das estratégias brasileiras de prevenção e controle da sífilis congênita publicadas na literatura científica, identificando fatores de sucesso assistencial e barreiras persistentes na rede de atenção. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura orientada pelo acrônimo PICO. A busca foi conduzida nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e BVS/LILACS, além de periódicos indexados nacionais e internacionais, focando em estudos primários publicados entre 2016 e 2026. A síntese qualitativa reuniu 12 artigos. Resultados e Discussão: Evidencia-se um descompasso entre o arcabouço normativo do Sistema Único de Saúde (SUS) e sua operacionalização. A ampliação quantitativa da cobertura pré-natal não assegura a redução da SC sem resolutividade assistencial. Entre as principais barreiras identificadas estão a descontinuidade do cuidado, desabastecimentos pontuais de penicilina benzatina em áreas vulneráveis e subnotificações nos sistemas de informação. Destaca-se como gargalo crítico o não engajamento do parceiro sexual, visto que menos de um terço recebe tratamento adequado no país, perpetuando o ciclo de reinfecção materna. A atuação da equipe multidisciplinar na Atenção Primária à Saúde (APS) consolida-se como pilar indispensável para o rastreio oportuno, busca ativa e monitoramento sorológico. Conclusão: As estratégias de enfrentamento da SC no Brasil são teoricamente robustas, mas sua efetividade é limitada por falhas logísticas e operacionais. A redução sustentada do agravo requer o fortalecimento do rastreio no ponto de atenção, a garantia do suprimento e aplicação da penicilina na APS, a institucionalização do tratamento do parceiro e a articulação interdisciplinar na vigilância epidemiológica.
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