OBSTRUÇÃO INFRAVESICAL ASSOCIADA A CÁLCULO DE BEXIGA POR PRÓSTATA DE PEQUENO VOLUME: UM DESAFIO NA PRÁTICA UROLÓGICA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n2p1178-1189Palavras-chave:
Hiperplasia prostática benigna, Cálculos da bexiga urinária, Ressecção transuretral da próstata, Sintomas do trato urinário inferior, Protrusão prostática intravesicalResumo
O objetivo deste relato é apresentar um caso clínico que demonstra o paradoxo entre o pequeno volume prostático e a gravidade da obstrução infravesical (OIV), destacando a relevância da Protrusão Prostática Intravesical (IPP). Paciente do sexo masculino, 57 anos, apresentou-se com sintomas do trato urinário inferior (STUI) graves com evolução de quatro anos, hematúria intensa e próstata de volume estimado em 30 gramas. A ultrassonografia evidenciou próstata de pequenas dimensões, porém com IPP significativa de 8,0 mm, associada a achados de bexiga de esforço, elevado resíduo pós-miccional (309 mL) e cistolitíase. O estudo urodinâmico confirmou obstrução infravesical severa (BOOI = 91). Posteriormente, a uretrocistoscopia revelou lobo mediano obstrutivo e identificou três cálculos vesicais, corrigindo a subestimativa do exame ultrassonográfico inicial. Diante do quadro, o paciente foi submetido à cistolitotripsia percutânea concomitante à Ressecção Transuretral da Próstata (RTUp). A evolução pós-operatória foi excelente, com fluxo máximo (Qmax) de 35 mL/s, mantendo-se assintomático ao longo de quatro anos de seguimento ambulatorial. Este relato enfatiza que a gravidade da obstrução infravesical é determinada pela morfologia da glândula (IPP), que atua via mecanismo de “válvula de esfera”, e não estritamente pelo seu volume. Conclui-se que, em próstatas pequenas com lobo mediano proeminente, o diagnóstico preciso via cistoscopia e o tratamento cirúrgico focado na desobstrução anatômica são essenciais para garantir o sucesso terapêutico definitivo.
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