SÍFILIS CONGÊNITA: ASPECTOS CLÍNICOS E PREVENÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE — UMA REVISÃO DA LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-9432.2026v5n6p585-596Palavras-chave:
Sífilis congênita, Atenção Primária à Saúde, Cuidado pré-natal, Prevenção e controle, Manifestações clínicasResumo
Introdução: A sífilis congênita (SC) permanece como um grave problema de saúde pública no Brasil, resultando em abortamentos, prematuridade e sequelas no desenvolvimento infantil. A incidência da SC atua como um marcador sentinela da qualidade da assistência pré-natal na Atenção Primária à Saúde (APS). Objetivo: Analisar as evidências científicas sobre as manifestações clínicas da sífilis congênita, bem como as estratégias de prevenção e manejo no âmbito da APS no cenário brasileiro. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura pautada na estratégia PICO. A busca foi realizada em bases como PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS e periódicos indexados, priorizando publicações entre 2017 e 2026. A amostra final resultou na síntese qualitativa de 12 estudos e documentos técnicos. Resultados e Discussão: A persistência da SC no Brasil não decorre da falta de tecnologias, mas de falhas nos processos assistenciais. A ampliação quantitativa da cobertura de pré-natal não assegura a redução dos casos sem a devida qualidade no cuidado. Entre os principais obstáculos identificados estão o diagnóstico tardio, barreiras institucionais para a aplicação da penicilina benzatina na Unidade Básica de Saúde (UBS) e subnotificações de desfechos graves. Destaca-se como fragilidade crítica o tratamento do parceiro sexual: menos de um terço recebe a terapêutica adequada, mantendo o ciclo de reinfecção materna. As evidências apontam para a necessidade de descentralização dos testes rápidos, capacitação profissional em enfermagem e medicina para administração imediata de penicilina e busca ativa territorializada. Conclusão: A SC é uma condição amplamente evitável. A redução sustentada de suas taxas no Brasil depende de transformar a expansão quantitativa do pré-natal em excelência assistencial na APS. Para isso, é fundamental garantir o suprimento de insumos, superar barreiras administrativas para o tratamento na UBS, qualificar a vigilância epidemiológica e assegurar a abordagem e tratamento integral do casal.
Downloads
Referências
CHAN, E. Y. L. et al. A qualitative assessment of structural barriers to prenatal care and congenital syphilis prevention in Kern County, California. PLoS ONE, v. 16, n. 4, p. e0249419, 2021. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0249419
FERNANDES, M. D. et al. The neglected role of partner treatment in congenital syphilis control in Brazil: nationwide evidence from 2007 to 2023. The Lancet Regional Health – Americas, v. 56, p. 101434, 2026. DOI: https://doi.org/10.1016/j.lana.2026.101434
FERNANDES, L. P. M. R.; SOUZA, C. L.; OLIVEIRA, M. V. Oportunidades perdidas no tratamento de parceiros sexuais de gestantes com sífilis: uma revisão sistemática. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 21, n. 2, p. 369-377, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/1806-93042021000200002
FESTA, L. et al. Underreporting of unfavorable outcomes of congenital syphilis on the Notifiable Health Conditions Information System in the state of São Paulo, Brazil, 2007-2018. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 32, n. 2, p. e2022664, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/s2237-96222023000200007
FIGUEIREDO, D. C. M. M. et al. Relação entre oferta de diagnóstico e tratamento da sífilis na atenção básica sobre a incidência de sífilis gestacional e congênita. Cadernos de Saúde Pública, v. 36, n. 3, p. e00074519, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311X00074519
KIMBALL, A. et al. Missed Opportunities for Prevention of Congenital Syphilis — United States, 2018. MMWR – Morbidity and Mortality Weekly Report, v. 69, n. 22, p. 661-665, 2020. DOI: https://doi.org/10.15585/mmwr.mm6922a1
LANNOY, L. H. et al. Gestational and congenital syphilis across the international border in Brazil. PLoS ONE, v. 17, n. 10, p. e0275253, 2022. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0275253
NKAMBA, D. et al. Barriers and facilitators to the implementation of antenatal syphilis screening and treatment for the prevention of congenital syphilis in the Democratic Republic of Congo and Zambia: results of qualitative formative research. BMC Health Services Research, v. 17, p. 556, 2017. DOI: https://doi.org/10.1186/s12913-017-2494-7
PEREIRA, B. B.; SANTOS, C. P. dos; GOMES, G. C. Realização de testes rápidos de sífilis em gestantes por enfermeiros da atenção básica. Revista de Enfermagem da UFSM, v. 10, p. e82, 2020. DOI: https://doi.org/10.5902/2179769240034
RONCALLI, A. et al. Efeito da cobertura de testes rápidos na atenção básica sobre a sífilis em gestantes no Brasil. Revista de Saúde Pública, v. 55, p. 94, 2021. DOI: https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2021055003264
SANTOS, F. F. dos; ACOSTA, L. M. W.; SILVA, C. H. da. Sensibilidade e especificidade dos critérios epidemiológicos para definição de caso de sífilis congênita em coorte retrospectiva no Brasil. Revista Panamericana de Salud Pública, v. 48, p. e133, 2024. DOI: https://doi.org/10.26633/rpsp.2024.133
SOARES, M. A. S.; AQUINO, R. Associação entre as taxas de incidência de sífilis gestacional e sífilis congênita e a cobertura de pré-natal no Estado da Bahia, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 37, n. 7, p. e00209520, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311x00209520
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Kecyani Lima dos Reis, Percilia Augusta Santana da Silva Campelo, Cesar Mendel Fernandes Ferreira, Vania Maria de Araújo Giaretta, Marina Amaral, Andre Luis Ferreira Santos, Davi Romeiro Aquino

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Você tem o direito de:
- Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
- Adaptar — remixar, transformar, e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
- O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
- Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado , prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas . Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
- Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.